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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

YZALÚ LANÇA MÚSICA ESCRITA POR EDUARDO (FACÇÃO CENTRAL)


Ouça Mulheres Negras - Musica compostas por Eduardo do Facçnao e Cantada por Yzalú


Facção Central sempre foi referência para a cantora Yzalú, tanto pelas músicas mas também pela postura e ideologia. Tanto que em 2010, Yzalú fez a releitura da música Desculpa Mãe, composição do Eduardo. O vídeo caseiro da releitura, que foi gravado na favela do Farina em SBC, foi responsável por lançar a cantora para o cenário. No mesmo ano, no lançamento da Mixtape o Jogo, evento realizado pelo Dj Bola 8, o padrinho da Cantora Yzalú,  foi que ela teve a oportunidade de conhecer toda a família Facção pessoalmente, e neste momento sua admiração e o respeito só cresceu e uma amizade verdadeira iniciou-se desde então.
Mas foi entre uma conversa e outra, nos bastidores de um show que Yzalú teve coragem de pedir uma música inédita para o Eduardo, porém devido ao tempo tomado pela finalização do seu Livro a ideia pareceu ser algo distante.
Depois de meses de muita conversa, Eduardo finalizou a música com o Título Mulheres Negras. Ao ler a letra, Yzalú ficou impressionada com a genialidade do Eduardo, que conseguiu descrever em palavras,  tudo o que ela sempre quis gritar. Mas não parou por aí, depois um tempo um encontro foi marcado na casa do Eduardo, uma espécie de prova final. Yzalú mostrou e cantou para o Eduardo e a Fátima a poesia em forma de melodia. Naquele momento, Eduardo poderia aprovar ou não a música, mas como se vê, tudo deu mais do que certo. No final, a Muylheres Negras, ganhou tamanha proporção na vida da cantora, que ela virou tema do DVD, que será lançada em breve. A gravação ao vivo da música, foi feita no teatro Lauro Gomes em SBC, que estava totalmente lotado. Perceba Yzalú se emocionado ao final da música, momento que arrepia qualquer um.

Escute e baixe o novo hino de todas a mulheres do Brasil.


Compositor: Eduardo (Facção Central)
Arranjador e Intérprete: Yzalú
Mulheres Negras (Letra)
Enquanto o couro do chicote cortava a carne, a dor metabolizada fortificava o caráter;
A colônia produziu muito mais que cativos, fez heroínas que pra não gerar escravos matavam os filhos;
Não fomos vencidas pela anulação social, sobrevivemos à ausência na novela, no comercial;
O sistema pode até me transformar em empregada, mas não pode me fazer raciocinar como criada;
Enquanto mulheres convencionais lutam contra o machismo, as negras duelam pra vencer o machismo, o preconceito, o racismo;
Lutam pra reverter o processo de aniquilação que encarcera afros descendentes em cubículos na prisão;
Não existe lei Maria da Penha que nos proteja, da violência de nos submeter aos cargos de limpeza;
De ler nos banheiros das faculdades hitleristas, fora macacos cotistas;
Pelo processo branqueador não sou a beleza padrão, mas na lei dos justos sou a personificação da determinação;
Navios negreiros e apelidos dados pelo escravizador falharam na missão de me dar complexo de inferior;
Não sou a subalterna que o senhorio crê que construiu, meu lugar não é nos calvários do Brasil;
Se um dia eu tiver que me alistar no tráfico do morro, é porque a Lei Áurea não passa de um texto morto;
Não precisa se esconder segurança, sei que cê tá me seguindo, pela minha feição, minha trança;
Sei que no seu curso de protetor de dono praia, ensinaram que as negras saem do mercado com produtos em baixo da saia;
Não quero um pote de manteiga ou um xampu, quero frear o maquinário que me dá rodo e Uru;
Fazer o meu povo entender que é inadmissível, se contentar com as bolsas estudantis do péssimo ensino;
Cansei de ver a minha gente nas estatísticas, das mães solteiras, detentas, diaristas.
O aço das novas correntes não aprisiona minha mente, não me compra e não me faz mostrar os dentes;
Mulher negra não se acostume com termo depreciativo, não é melhor ter cabelo liso, nariz fino;
Nossos traços faciais são como letras de um documento, que mantém vivo o maior crime de todos os tempos;
Fique de pé pelos que no mar foram jogados, pelos corpos que nos pelourinhos foram descarnados.
Não deixe que te façam pensar que o nosso papel na pátria, é atrair gringo turista interpretando mulata;
Podem pagar menos pelos os mesmos serviços, atacar nossas religiões, acusar de feitiços;
Menosprezar a nossa contribuição na cultura brasileira, mas não podem arrancar o orgulho de nossa pele negra;
Refrão:
Mulheres negras são como mantas Kevlar, preparadas pela vida para suportar;
O racismo, os tiros, o eurocentrismo, abalam mais não deixam nossos neurônios cativos. 



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